- O Prof. Rubens Fiúza (1923 – 2000)
Comparo o Prof. Rubens Fiúza àquela grande e solitária palmeira,
o ‘buriti perdido’, de que falava Affonso Arinos em “Pelo Sertão”.
Uma vasta cultura humanista, uma inteligência e um saber invejáveis, servidos por uma grande e valiosa biblioteca pessoal – e, no entanto, isolado na sua ‘planície’ dorense, sem interlocutores à altura, cercado de adversários políticos e inimigos, muitas vezes perseguido, quase sempre incompreendido.
(José Hipólito M. Faria.)

- Do São Francisco ao Indaiá”: Uma História Compreensiva de Dores.
“Como classificar esta história de Dores do Indaiá do Prof. Rubens Fiúza? Não é nada fácil, porque a obra tem de tudo: registros históricos propriamente ditos, geografia, ficção, ensaios, ideologia, filosofia, educação… O subtítulo de ‘romance histórico’ que lhe deu o próprio autor não parece fazer justiça a aspectos tão diversificados.”
(José Hipólito)

- “As qualidades literárias do autor brilham, de modo especial, em capítulos inolvidáveis, como aqueles que descrevem a “Piraquara”, o grande lagoão de muitos peixes, já totalmente destruídos pelo ‘progresso’; ou os que pintam a “floresta branca” das jabuticabeiras, melancolicamente transformadas em lenha para locomotivas; e os que expõem a devastação ecológica na MISF. Aliás, Rubens Fiúza manifesta uma sensibilidade intensa para com o tratamento irresponsável que temos dado aos nossos recursos naturais, e à riqueza e beleza destruídas… Nesse particular, avulta também a sua preocupação pedagógica, visando evitar que os erros do passado continuem a ser repetidos.”
(José Hipólito M. Faria).

- “Fiquei encantado com as revelações do autor e, principalmente, pelo estilo com que tratou alguns dos insolúveis problemas da Inconfidência Mineira. Ademais Rubens Fiúza soube traçar muito bem as circunstâncias que envolvem Dores do Indaiá na trama da História de Minas. Fiquei enriquecido com a leitura do importante documento”.
(Dr. Prof. Fábio Lucas)

Li cuidadosamente Tiradentes, Crônicas da Vida Colonial Brasileira (BH, 2.006) com prazer e proveito. A obra instrui e agrada. Convenci-me da alta personalidade de Rubens Fiúza, pesquisador e pensador solitário. distanciado das seduções da fama. Independente e altivo. Por isso, severo na crítica aos historiadores apressados e revisor de conceitos consolidados.
Assim, à complicada história da Inconfidência Mineira, Rubens Fiúza agregou aspectos inovadores. Em primeiro lugar, ressaltou a importância de Juca de Sousa. Depois, deslocou o eixo da análise política dos acontecimentos, traçando os dois polos da formação de Minas: o dos conservadores, latifundiários, herdeiros do esgotamento do modelo bandeirante. Cercados de privilégios, presenteados com sesmarias, assentaram o ardor de conquistadores, os bandeirantes. Em vez de buscar ouro e pedras preciosas, passaram a acumular terras. O outro lado mineiro, urbano e progressista, anti-escravagista e propenso ao comércio, ao contrabando e a exploração das minas fora do controle reinol, acabou por ser abafado e combatido pelos conservadores. O modelo se repetiu na era da independência.
A tudo isso, Rubens Fiúza acrescenta a leitura e posse de documentos inéditos. E trabalha com hipóteses realistas acerca dos descendentes do Tiradentes. Incrível.
(Dr. Prof. Fábio Lucas)

- “Li com muito prazer, o segundo livro do Rubens, “Tiradentes, Crônicas da Vida Colonial Brasileira”, como tinha feito com o “Do São Francisco ao Indaiá”. A prosa do Rubens é muito saborosa e atraente, de modo que a leitura foi mesmo muito agradável.”
(Cristóvão Soares Júnior).

O Prof. Rubens Fiúza (1923-2000) foi sempre um grande estudioso de História, Geografia e Sociologia, sobretudo nos aspectos relacionados com a sua região – aquela “Mesopotâmia Indaiá-São Francisco” de que tanto fala em suas obras.
Deixou inúmeros trabalhos escritos, que não conseguiu publicar em vida – a não ser o livro de contos históricos O Diamante do Abaeté e Outros Contos. Sua esposa, que lhe sobrevive, publicou posteriormente Do São Francisco ao Indaiá – História e Estórias de Dores do Indaiá (2003), e empenha-se ainda em organizar e publicar ao menos parte desse grande acervo, que inclui, entre outros títulos:
Congado, Festa Barroca
Viagem no Sangue
Contoensaios
Águas da Piraquara
Mitos
Kröber
Árias na Corda de Táo
Clandestinos (Contos)
Poesia Traduzida
O Livro de Andar a Pé
Bichos e Homens.

AS IMAGINAÇÕES DE RUBENS FIÚZA

“Águas da Piraquara – Histórias da História Mineira (Juiz de Fora, Liberdade Livraria Editora, 2007) Rubens Fiúza constitui obra póstuma de alto relevo narrativo e de corajosa leitura romanceada da História de Minas. É que o autor, criterioso investigador da fundação de sua cidade natal, Dores do Índia, e do ciclo do diamante de Minas, veleja, com o leme do saber e da astúcia interpretativa, contra a corrente dos exploradores dos temas  consagrados da cultura regional: A Inconfidência, Tiradentes, a escravidão, os índios, os negros e os capitães-do-mato.
As lutas dos nativos contra as forças de ocupação são descritas sob outro ângulo. Do mesmo modo, o ficcionista lança um olhar crítico sobre os bandeirantes, quando cessa o poder conquistador de sua faina além-fronteiras e, assentados nas terras doadas pelo Reino em forma de sesmarias, encarnam o espírito violento e repressivo da dominação. O mesmo faz a respeito dos contrabandistas, dos cristãos-novos e dos operadores de mineração clandestina.”

(Prof. Fábio Lucas)

(Este trecho saiu na “Revista da Academia Mineira de Letras, out. nov., dez de 2007.)

 

 
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